quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Tethis

Você é coisa
                   Passageira
            Pouca
    Afoita
            Rouca
                      Louca
Que me arranha a língua

                         E gruda no céu da boca

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Falo obrigada, mesmo que não tenha recebido nada em troca.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Flor de lis

Me debato como uma mosca numa teia, temerosa da aranha que se aproxima. É que Lis, não dá mais.
Eu tento seguir teus passos, caminhar na tua sombra. Não dá. Até mesmo a simples ideia de segurar tua mão, parece distante agora.
Lembra de quando nos conhecemos? Éramos ambos, você e eu, duas criaturas bobas, cheias de vergonha e estranheza. Você uma ciumenta nata e eu uma desligada de todas as coisas, exceto tu. Um tu que mudou meu mundo, para melhor ou pior é que eu não sei. Lis há tanta coisa que queria te dizer. Tanta coisa entalada na garganta. Tanta coisa que queria que soubesse. Tanta coisa que é difícil exprimir e que mesmo que o fizesse sei que não adiantaria nada.
Vê só a gente. Agora, nesse exato instante. Nunca te ocorreu que tudo isso que passamos é tão besta, tão mínimo? Provavelmente sim.
Queria passar o tempo ao seu lado. O tempo todo. Cada segundo. Queria estar lá quando se formasse, quando tivesse sua casa própria, quando comprasse o seu primeiro carro, quando precisasse de carinho, ou mesmo só de um ombro para chorar, ou quando seus cabelos ficassem todos prateados. Nenhuma dessas coisas nunca vai acontecer, Lis. Não porque eu não quero e sim porque você está presa. Presa em si mesma, presa no passado. Me lembrou aquele macaco do rei leão, quando bateu com cajado na cabeça do Simba e disse “É passado”. Doeu, o que quer que tenha acontecido contigo, doeu, sim. Mas é passado. Não deveria deixar que ele tirasse sua perspectiva de futuro.
Cada vez que me dizes que alguém te machucou, que é por isso que está tão afastada de mim e que vai lidar com isso do seu jeito, eu lembro do macaco. Cada vez que diz que tem medo, eu lembro do macaco. Cada vez que diz que eu te assusto porque te deixo vulnerável de uma maneira que sempre quis evitar, lembro do macaco. Rafiki o nome do desgraçado do macaco. RAFIKI! O mandril de bunda engraçada.
Fucking macaco.
Lembro também de vários ensinamentos budistas como: “o medo é o contrário do amor, ele paralisa e te impede de seguir com o rumo natural da sua vida”, lembro de outras coisas também, porém minha lembrança mais marcante é a do macaco. Maldito macaco. Quer dizer, um desenho, feito para pequeninos de no máximo 10 anos, é muito mais consciente sobre a vida do que você. É claro que o desenho foi feito por adultos, mas as crianças entendem, elas têm uma visão mais clara da vida, do mundo, de si mesmas. E isso me faz perguntar-me, será que o problema é realmente o passado ou você?
Talvez esteja sendo egoísta aqui, talvez esteja trazendo à tona somente a minha amargura e não esteja vendo as coisas do seu ponto de vista. Afinal, não sofri o que você sofreu, não passei por seus transtornos, não senti o que você sentiu.
Sei que é meio inútil, mas fica a pergunta: Porque seus sentimentos são mais importantes que os meus?
Já me disseram tantas coisas, que eu deveria ser gentil, paciente, que eu deveria esperar por ti. Que deveria deixar de me preocupar tanto, que deveria seguir em frente, que deveria mandar você tomar onde o sol não bate (onde as patas tomam) e ser feliz.
Mas eu gosto de você.
Gosto do seu sorriso, de não saber o que seus olhos veem quando olha para mim. Gosto de suas mãos, do seu cheiro. Do modo como você fala como um zumbi cantando – se mortos vivos cantassem... Do som da sua gargalhada. Do tom da sua pele, que nem é de um pastel bem bonito. Do seu nariz. Do jeito como seus olhos olham nos meus quando não há mais nada a ser dito.
Lis, a gente já tá nessa faz tanto tempo. Sei onde foi o começo. O fim, é que tenho medo.
Tenho medo do seu medo consumir o resto de tempo que nos resta. Tenho medo da sua covardia continuar me mantendo lá no espaço no finzinho da sua sombra, de que meus pés fiquem maiores que os seus passos. Lis eu tenho medo de seu medo de mim te tornar numa estranha.
Porque Lis, esse seu medo só vai nos levar cada vez mais longe uma da outra.
É como um abismo, cada uma de nós de um lado. Eu, boba, tentando atravessá-lo sem nenhuma ferramenta. Você, do outro, com o martelo, os pregos, a madeira, corda e toda estrutura necessária para me ajudar a atravessar. Infelizmente ambas sabemos que isso não vai acontecer, não é mesmo?
Voltando aquele dia que nos conhecemos, suas mãos nervosas enquanto segurava um papel todo amassado e lia em voz alta para toda a turma, seu nome, seu passatempo favorito, suas músicas preferidas, seus sonhos... (e a numerosa quantidade de estilos de metal que você disse e fez a turma inteira rir ou seu vestido cor de burro quando foge que era a coisa mais fofa do mundo), me pergunto agora o que tinha de verdade naquele papel, porque parece uma pessoa completamente diferente de quem você é agora. Um eu mais corajoso. Um eu distante que você enterrou no passado. 
Passado. Essa palavra nos persegue.
Queria pelo menos ter álcool enquanto escrevo isso. Uma carta.
Meus olhos doem, tô com insônia, acho que minha pressão deve estar baixa também. Acho que não tenho muito futuro. Tô numa série de enrascadas sucessivas com as pessoas, muita gente antes de você, muita gente depois. Muita gente que não dá a mínima e eu ligando muito, muita gente que se importa muito quando eu não dou a mínima. Nenhuma dessas pessoas é você.
Esse é meu problema, você. Que desaparece e quando penso que esqueci, que estou começando a seguir em frente, reaparece de um átimo, como que invocada, só para me deixar meio doida de novo. Esse você, que diz que não dá certo, que vamos ser só amigos num instante e no instante seguinte diz: não consigo ser só seu amigo. O seu eu que diz “Quero você” agora e lá na frente diz “ mas não posso” ou me dá uma desculpa esfarrapada por mensagem no WhatsApp e some o resto do dia.
Odeio você.
Eu odeio sua indecisão, odeio o modo como sempre me trata como segunda opção num momento e no outro como se fosse a única. Odeio. E não consigo odiar.
Lis não dá mais.
Lembro da última vez que nos vimos (a sós, com sua amiguinha não conta), quase 2 anos atrás e não foram necessárias palavras. Fico me perguntando como você pode ter medo daquilo. Da sinceridade, da crueza dos nossos beijos, dos seus lábios nos meus.
Como eu não sei, também não sei porque, talvez nem queira saber. Acho que no fundo, você vai se curar de seja lá o que for isso quando outra pessoa mais entusiasmada e teimosa que eu decidir que vale tudo isso, quando essa mesma pessoa lutar com unhas e garras mesmo que você a afaste, mesmo que você tente convencê-la de que o que sentem um pelo outro é errado, mesmo que minta dizendo que não a quer.
Espero que essa pessoa consiga fazer o que não fui capaz. Espero que essa pessoa consiga ou te fazer feliz ou te mandar para o inferno.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Pequena loucura.

Parte de mim deseja-te tudo
parte de mim te espera...
                            partir...
Parte de mim tem pouco remorso
parte de mim vê sem...
                              vir...
E fui, por um instante, voltei
Flagrei-me no teu ir e se despedir
Agora já me resta não ir.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Norton e o mundo dos duendes - 2



Chegando as alamedas enlameadas e meio carcomidas de Diagoras, fui direto à escola de magos do distrito magico. Cobri-me com a capa da maga falecida; todo mundo sabia que era o único jeito de entrar naquele lugar, herdando o direito. Como assim você não sabia disso? Em que mundo você vive!? Continuando. Entrei no castelo, com pé esquerdo é claro, não queria ter azar. Já dentro, percebi que a estrutura de fora não fazia jus ao que havia dentro, era deveras maior, muito maior. Gigantesco, como se houvesse uma alteração no espaço. Enfim, você deve estar imaginando. Fiquei babando pelo lugar, pelas escadarias sem fim, pelos quadros e os livros, que tinham asas. OS LIVROS TINHAM FUCKING ASAS! E voavam como pássaros desesperados para fugir, uma revoada deles. E a trás deles havia um garoto mais ou menos da minha idade, tropeçando no próprio manto e ajeitando os óculos. E gritando é claro.
Ele esbarrou em mim de tão distraído e se levantou xingando numa língua que não me parecia estranha. A língua dos trolls.
-Cuidado com a língua. – Ameacei.
-Ah então não é um completo retardado! – Sibilou.
-Não fui eu que caminhava sem olhar para onde, duende estupido.
Ele me examinou por meio segundo e caiu numa reverencia.
-Desculpe senhor, não foi minha intenção lhe ofender.
Não entendi a mudança súbita de comportamento.
-Também não precisa se curvar.
-Claro que preciso, foi minha culpa. – A voz dele tinha um tom de medo.
-Ei, calma. Me explica o que houve?
-Os livros fugiram, quase todos! Ainda consegui trancar alguns, mas.... – Ele fez um gesto de briga para uma guria que desapareceu nas escadas, rindo. – QUANTAS VEZES TENHO QUE DIZER PARA NÃO DEIXAR A PORTA ABERTA!!!
-Hum... –Sorri. –Posso ajudar?
-Não senhor... Não. É minha incumbência em primeiro lugar. Se o grão mestre souber que eles fugiram de novo e pior, que deixei um magister me ajudar com minha bagunça. Vou limpar cocô de unicórnio para o resto da vida.
-Não é nada. – Falei.
Com um assobio fiz os livros me seguirem.
-Para onde? –Perguntei em meio ao folego, enquanto corria de uma enxurrada de livros.
-Siga-me! - Ao que ele trancou as grades da biblioteca quando eles passaram por nós. Malditos livros.
Nós rimos e eu o ajudei a levantar.
-Onde posso encontrar o grão-mestre Danovan?
-Senhor, creio que está atrasado por algumas frações de luz solar. Mestre Danovan acaba de partir para uma excursão aos reinos do leste.
Droga.
O rapaz coçou a cabeça, antes de continuar:
- Só volta em meados do próximo solstício.
-Tinha uma entrega para ele...
Tentei dar meia volta e seguir para casa, a mão do rapaz puxou minha camisa.
-Aonde o senhor vai?
-Embora?
-Não senhor. – Ele me empurrou através de varias portas.
-Ei tenho que voltar para casa! ME SOLTA!
-E perder a reunião de conselheiros e magisteres?
Fiz uma careta. Estava se tornando complicado cumprir as últimas vontades de um morto.
-Estou indisposto.
-Venha, venha. – Continuou me arrastando sem dar ouvido as minhas desculpas. – O senhor devia trocar de roupa, apesar das vestes honrosas, suas roupas de baixo são piores do que as de um camponês.
-Ei!
-Vamos tratar disso.


Chegamos a um grandioso quarto luxuoso, convenientemente preparado e com uma droga de banheira no meio. Droga.
Tentei tirar a mão dele, estava por todo lado e em todo lugar, num instante estava vestido e no outro nu, numa banheira, sendo esfolado vivo. Maldição, como odeio banhos. Obrigou-me a trocar de roupa, ceroulas de algodão em vez do farrapo de estopa que usava e um manto de linho, invés daquela camisa e calças feitas de pano velho.

Até que o quarto era bonito e não tinha serragem e nem cheiro de estrume ou o balir de uma porção de animais que te comeriam se não prestasse atenção. Até que poderia me acostumar com essa vida, pensei.

sábado, 7 de março de 2015

Sei lá

Andei escrevendo hoje, sei lá, deu inspiração, sai por ai dando vida ao papel. Achei interessante a curiosidade das pessoas, saber o que tinha ali, o que era tão importante que me fez esquecer de tudo ao meu redor, inclusive da aula. Achei mais interessante ainda como me perdi, como perdi a noção de tempo e deixei que as palavras fluíssem. Parecia que precisava disso já fazia um bom tempo, como um viciado que ficou sem o vício tempo demais. Alivio, essa é a sensação e um pouco de tristeza também, de saber que retornou a tudo que tinha pensado deixar para trás. Não que escrever seja ruim, mas é como CFA disse uma vez, escrever é vomitar, é meter mesmo o dedo na garganta, sozinho, sem ajuda. E quem é que gosta de meter a porra do dedo na garganta? Acho que ninguém. Se bem que tem gente pra tudo no mundo. Até para gostar de Milf, quem dirá, meter o dedo na garganta.

terça-feira, 3 de março de 2015

Norton e o mundo dos duendes - 1


Fui batizado de Norton quando tinha umas 100 luas, eu acho. Pelo menos era o que minha mãe dizia antes de fugir com um cavaleiro errante. Menos mal, odiava o modo como ela me tratava e o jeito que ela continuamente mantinha relações com qualquer duende ou criatura viva que prometesse alguma aventura. Vivo em Diagoras, reino dos pequenos duendes Lamuris do norte. Moro desde que nasci, num velho celeiro cheio de pulgas e carrapatos e feno, muito feno; propriedade do monsenhor Jon. Que fora patrão do pai do pai do pai do tataravô do meu pai... bem, já deu para ter uma ideia. Meu pai faleceu a 40 voltas de luas, e morreu sob a tutela do velho Jon. Que logo veio a se tornar meu patrão. O velho provavelmente me ultrapassaria também.

Um belo dia de sol, o vento roçava no meu rosto, como as delicadas mãos de uma donzela –não que eu já tenha tido uma... andei de um lado para o outro do distrito das pulgas, trocando, vendendo e comprando uma infinidade de produtos para o chefe. Voltei, apreciando o caminho como sempre fazia, os verdes prados e campinas do sul de Diagoras, assobiando uma canção qualquer sobre um velho que mata um dragão, que ninguém lembra mais quem é, até vi um negócio negro se mexendo lá longe, numa colina.

Pensei logo que era uma abominação, uma aparição, coisa das trevas mesmo sabe? Mas ouvi um gemido, uma voz feminina. Depois de alguma hesitação, decidi que aquele medo todo era bobo e que já fazia algum tempo nenhuma bruxa ou fada aparecia no vale, fui até lá. O negócio preto acaba sendo na verdade, um véu, cheio de estrelas douradas de todos os tamanhos decoradas nele e sob ele havia uma pequenina e fraca garotinha. Me senti besta. Tamanho duende, com medo de assombração. Bufei.
A garotinha me agarrou e eu quase me caguei de medo, sinhô. Ô se caguei. Ela gemeu novamente e fez um gesto pra eu me aproximar. Fiz o que foi pedido, meio com medo, meio aterrorizado.
-Pegue esta correspondência e a varinha, vá para a cidade e encontre o grão mestre...
Um suspiro e ela não estava mais neste plano.
-Grão mestre? Quem? Mulher, não disse coisa com coisa!
Mas já era tarde.
Peguei a carta e o desenho no selo de sangue se moveu, um pequeno dragão vermelho com olhos escarlates, e a tal da varinha que ela havia dito, girei-a no ar. Tente entender, só via os magos durante os desfiles e comemorações da cidade, aquilo era algo novo para mim. Parecia um galho velho, meio apodrecido e meio conservado. Comecei a brincar com ela, imitando o que os magos faziam durante as paradas e sem querer acabei disparando um raio que destruiu uma das arvores alguns metros à frente. Fiquei um pouco assustado, um pouco excitado. Tratei logo de guardar a capa da moça dentro de uma das minhas bolsas e junto com ela a varinha e a carta.
Corri para casa, deixei os lucros e encomendas do patrão e arrumei uma desculpa esfarrapada para voltar a cidade:
-Deixei sem querer uma encomenda, tenho que voltar para buscar...
-Moleque maldito, quando é bobagem você se lembra muito bem. – Tomei um safanão na cabeça. – Vá e volte logo, sabe que preciso de um banho quente.

-Sim, senhor.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Luis - Final

Foi até o lavabo, deixou a maleta sobre a pia e lavou o rosto, tomando tempo suficiente para se recuperar. "Elevadores", pensou "pequenas caixas feitas de solavancos e socos no estomago".

-Luís. – Essa voz não era interior.
Virou-se, havia um dos outros lá. Um daqueles caras que ele não se importava, mas fingia, fingia bem demais.
-Como vai meu chapa? – Antônio sorriu convidativo.
Os dois se cumprimentaram depois que Antônio lavou as mãos.
-É um dia ruim... – O amigo continuou. – A mulher está uma fera, parece que o mundo vai desabar se não conseguirmos resultados imediatamente.
-O que houve? Esteve aqui a noite toda?
-Sim, era isso ou ficar aturando ligações no meio de madrugada. – Antônio resmungou. –Não te ligaram?
Luís ergueu o celular e fez uma careta.
-Deixei desligado.
-Oh cara, eu não queria estar na sua pele... – Antônio de uns tapinhas de consolo nas costas de Luís. – Ela vai querer seu pescoço.

Luís soltou um suspiro.

Os dois seguiram para a sessão chamada carinhosamente de “demônio” porque toda a ala era comandada por ela, Anne. A destruidora de carreiras. Por essa mesma Anne que ele se apaixonou. O demônio em forma de mulher. A comandante de todas as sete legiões de seu inferno particular. Nem Dante poderia lhe dar um desfecho pior. Quando chegou a sala de reuniões, Antônio lhe dirigiu um olhar de desculpas e foi se sentar na cadeira mais distante, o que fez Luís o invejar mortalmente. E que deixava vaga uma única cadeira, a mais próxima a sua chefa.

Ele fortificou todas as suas defesas, sua assistente pegou seus pertences, menos a maleta e lhe deu um sorriso vago quando sabia que ninguém mais poderia ver exceto Luís. Ele não retribuiu, olhava para seu arqui-inimigo e ex-amante. Queria sentir o coração bater mais rápido e as forças faltarem para sustentar as pernas, quem sabe um leve e breve tremor; ou a secura habitual na garganta. Nada. Não sentiu nada, nenhuma única migalha do seu ser enfraquecida. Ou o calor habitual. Nem mesmo frio.

Limpou a garganta e não se sentou.

Era sua vez de fazer escolhas, era sua vez de estar no controle. Sua vez de desferir o golpe letal contra a criatura que aterrorizava seus sonhos e sua realidade. Apertou a alça da maleta e sorriu triunfante.

-Eu me demito.