sábado, 15 de dezembro de 2012

Calhorda

Então me abandona. Me abandona e não me persegue depois, fingindo que não sente minha falta, mas estando sempre em todos os lugares que vou. Fingindo que não me ama, que não me quer. Então me maltrata, me liga no meio da noite interferindo nos meus sonhos, nas minhas escapadas malucas com desconhecidos -estes últimos que arrumo numa tentativa boba de te esquecer. Vai, pode ir. Mude o caminho de outras, mude a vida de outras, só para depois tentar encontrar nelas um bocadinho de mim ou de culpa. Vai lá, só tenha certeza do que está fazendo. Pode ir. Mas não me liga depois, sem eira e nem beira, num ataque de tristeza tão violenta que mal consegue respirar e chorar e dizer palavras tão vãs e estupidas que me encolhem a alma ou que fazem aquele frio na barriga se apoderar de mim. Você está me matando lentamente e não da forma certa. Está me matando dentro de mim. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

L'amour


Sabe quando a gente vê aquele romance? Sabe exatamente como é ter um daqueles papeis? (risos) Olhar nos olhos do outro, ver todas aquelas cores bonitas. E parece que o mundo lá fora, fica longe, não te alcança. Porque tem aquela pessoa ali, na sua frente. Ele ou ela, não importa, faz o mundo parar.
A apreensão, a vontade de que dê certo te faz prender o fôlego. E as mãos suam e o coração bate que nem um tambor de crioula. “Deus, parece que isso não vai acabar nunca”, você pensa, até o primeiro beijo chegar, que é quando você volta a respirar.
O que me deixa sem fôlego também é a trilha sonora. Porque toda vez que eu ouvir aquela maldita musica vou lembrar daquele momento, daquele personagem, daquele filme, daquele olhar. Um beijo ou dois. E vez ou outra acabo odiando a música.
E fica naquela expectativa absurda para saber como aquele romance vai se desenvolver, prende o fôlego de novo, dessa vez porque os mocinhos não se entendem e o vilão, que tem diferentes facetas, pode ser um casamento em ruínas como pano de fundo, o preconceito e a ignorância, pode ser um reles passado sujo ou um alguém do passado, talvez alguém do presente mesmo, acaba atrapalhando tudo.
Os mocinhos tem que lutar, tem que se defender com unhas e dentes, seus raios lasers e facas são a persistência, a super força é o amor e por ai vai... É, prendo o fôlego assistindo essas merdas. Mas é porque tenho que viver um romance de vez em quando também.