sábado, 23 de fevereiro de 2013

Luís.




“Já não sei mais como é despertar sem tua presença”. Ele sentou, já completamente acordado e embriagado na insônia, na beira da cama de casal. Esfregou a própria cabeça como um afago. Dormira poucas horas, não mais do que deveria, menos do que precisava. Inquieto. Essa era uma palavra que o definia muito bem.
Inquieto era a palavra que definia sua vida nos últimos meses.
Passou as mãos pelo rosto, impotente. Impotente era um verbo que ele havia aprendido aos sete anos de idade, e mesmo assim, era a primeira vez que entendia o significado literal. Não havia mais nada que ele pudesse fazer. Absolutamente.
Levantou. A calça de moletom era a única barreira contra o frio, mas ele não se importava. O frio podia entrar, era convidado. No momento seu único amigo. Ele poderia tomar conta de sua alma se quisesse. Poderia congelar seus nervos também e torná-lo a prova do calor, as lembranças e da mortalha que aquela saudade ameaçava virar.