Sentei numa pedra sob uma árvore
de folhagem bem alta, eu não sabia qual arvore era, essa seria a especialidade
de minha irmã, Cecilia, apelidada carinhosamente de Ceci. Era a terceira vez
essa semana que estava ali, naquela mesma pedra, sentado. Observando a paisagem
e pensando a respeito do futuro. Meu cavalo, Vortal, comia tranquilamente a
grama verde e algumas folhagens rasteiras. O morro ficava mais frente, tínhamos
um mar de um azul escuro e profundo mais adiante. Vortal e eu éramos as únicas
criaturas vivas em quilômetros, porque estávamos no vale proibido e eu adorava
a visão daquele lugar. Milhares e milhares de quilômetros de nada a não serem
as árvores e a relva, de ninguém para bisbilhotar.
Muito adiante, na linha do
horizonte doze fragatas balançavam contra o mar, tentando inutilmente se
manterem imponentes e fortes sobre a maré. Ia ser um daqueles dias. Descansei
meus cotovelos sobre as pernas e deixei minhas mãos serem acalmadas pelo calor
da minha face. Um dia eu não teria que fazer isso novamente, jurei para mim
mesmo, baixinho.
Vortal relinchou, sacudiu as
crinas e relinchou. Era meu sinal de partida. Peguei a espada longa encostada
contra uma rocha mais adiante, coloquei minha bolsa nas costas e parti, a
galope no meu cavalo, de volta a vila. Ou a vida talvez.
