terça-feira, 21 de maio de 2013

The world rarely stops


“ We can make the world stop”.
Os fones de ouvido ecoando, ondas reverberando dentro de sua cabeça. Algo que ia além das batidas, da voz equalizada e distorcida. Algo que significava tanto sem muito dizer. Trespassava-a como uma lança de ponta de aço. Devorando seu ser.

Tentou uma, duas, três vezes trocar a trilha sonora. Pela septuagésima vez, em vão. Era como se os versos tivessem se tornado um só com a sua alma. Grudado em baixo da pele, de tal modo que tudo nela formigava e esquentava toda vez que a musica repetia.

Como um mantra. Acalmava-lhe, trazia uma certa paz. "Tudo falso" pensou, "tudo mentira". Ainda assim, esperança estupida ou não; “We can make the world stop”.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Passion



A gente fica esperando que os outros supram nossas necessidades. Esperamos demais dos outros. E ainda ficamos achando que está certo, que não é nada demais toda essa cobrança. Até ai tudo bem, sempre existirão expectativas que darão errado. Tombos no meio do caminho. Desentendimentos. O problema real é quando não se espera nada. Juro. Não há nada pior que quando a gente está de boa com tudo do jeito que está, sem cobrança, sem apelos melancólicos o tempo todo. E ainda assim, não dá certo.

Você sabe que não errou. Que não há uma só falha de sua parte. Estava tudo bem.

Mas dai vem aquela série de dúvidas que te assaltam no meio da noite, sem aviso, sem interrupção. Arrombam seus sentimentos e se instalam ali como hospedeiras malditas que não tem mais o que fazer. E não tem mesmo. Elas não te deixam dormir ou te fazem dormir demais. Elas se alimentam das suas faltas e dos seus excessos.

Não é disso que quero falar. O que realmente me trás aqui é o fato de que o que nos prejudicam são esses poucos gestos não demonstrados, as palavras não ditas. Porra, tudo que eu queria era te ver. Ouvir seu riso ou teu choro. Qualquer coisa. Em vez disso tem essa merda vazia toda espalhada entre nós.
E tudo que você diz é que não quer mais sentir nada.