sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Début

-Lembra-se daquela historia daquele poeta famoso que foi traído pela mulher e eles ficaram trocando cartas audaciosas e más por um bom tempo?- Ele deslizou os cabelos dela para trás da orelha novamente.
-Sim, lembro sim. – Ela revirou os olhos. – Você me contou tantas vezes que sei de cor.
-Pois é. Foi doentio, não foi? Ele amaldiçoando-a carta após carta e ela respondendo com injurias e acusações...
-Sim, doentio e falta do que fazer. – Ela retrucou sombria.
-Mas não é isso que importa. O importante que aquelas cartas, são arte. Isso é tudo que importa.
-Ah! – Ela rolou sobre si e ficou de um jeito que pudesse encará-lo, olhos nos olhos. – Então vale tudo em prol da arte?
-Eu nunca disse isso. – Ele respondeu solene. – Só disse que não importa quanta dor cause, desde que se transforme em algo maior, uma memória eterna.
-Pois eu não acho que as coisas tenham que ser assim. – Ela bufou. – Arte tem que ser uma coisa delicada, perfeita, não algo sórdido nascido de dor de cotovelo e desavenças.
-Você escreveria um poema para provar isso? – Ele sorriu.
-S-sim... – Os olhos dela se tornaram duas frestinhas. – Espera ai...
-Está vendo, você está sendo muito dura. Está se deixando guiar pelos seus sentimentos... Por um falso senso de estética que não realmente faz jus as circunstancias. – Ele suspirou. – Junte tudo isso numa série de versos e você será um poeta perfeito.

1 comentários:

Unknown disse...

aewwwww kk só queria deixar minha admiração e dizer que o texto está perfeito *-*

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