Invariavelmente,
é claro, seus medos e você entram em combate.
Anne
era o nome dela. É o nome dela, já que não está morta, mesmo que ele tente se
convencer disso todas as noites.
O
sol irrompendo o centro do horizonte a sua frente o fez se lembrar do sorriso meigo
que ela lhe dava às vezes e de como os olhos dela pareciam sussurrar coisas que
ele não conseguia decifrar, Luís fechou os olhos e acolheu aquela lembrança.
Fechou os olhos e acolheu as incertezas e a dor. Sussurrou o nome dela na brisa
e abriu os olhos novamente. O calor que lhe encheu, não teve certeza se
provinha do astro errante ou de si mesmo, não que isso importasse. Em uma hora
teria que enfrentar novamente o campo de batalha. Usar um sorriso e fazer
parecer que ele não estava quebrado.
Tomou
banho, metódico e calmo, aproveitou-se de si mesmo e das lembranças. Saiu de lá
renovado, como se tivesse sido abençoado por uma ninfa. Enxugou-se vestiu as
roupas intimas, seguidas de suas calças sociais que ao serem abotoadas pareciam
mais pesadas do que realmente eram. Ele respirou. Uma, duas, três vezes. Perdeu
a conta. Quando olhou no espelho novamente, colocou a camisa que serviu como
uma malha, o colete e por fim, a casaca do terno. Ajeitou as mangas e
desamarrotou, imaginando aquilo como a couraça de ferro que o protegeria pelo
resto do dia. Então a gravata se fez de elmo.
Organizou
os cabelos, ou pelo menos tentou. Até que não teve mais paciência e jogou tudo
para cima. Resmungando um foda-se. Escovou os dentes e calçou os sapatos.
Pegou
a maleta ao lado da mesa do computador, junto de um capote no closet e marchou
para o que seria mais um dia de guerra.

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