Ele
se acomodou na borda da sacada de seu quarto. Havia outros quartos e centenas
de metros abaixo de onde ele estava. Sem nenhuma proteção, nada além daquela sacada, e ele não conseguia
se importar com a altura. Havia outras coisas com que se preocupar, como a
presença constante do mesmo pesadelo. "Luís..." Ouviu sua voz interior chamar.
Havia uma nota de alarme, preocupação nela. E tudo o que ele conseguiu fazer
foi suspirar. Essa voz constantemente o atormentava mais do que o resto.
O
homem era maciço e grande como uma rocha, quase dois metros de altura, bons
músculos boa pele, barba bem feita e cabelos negros com olhos esmeralda.
Poderia ter a garota que quisesse. E caiu de amores. Quando menos esperava estava caindo. E mais cedo ainda, estava morto. Morto de amores.
Olhou
para baixo novamente, apertou as pernas contra si e ficou olhando a poluição
das luzes da cidade e os sons da mesma, contra o brilho da alvorada. Ele era um garoto crescido, pensou
consigo mesmo, iria sair dessa.
"Luís..."
A
preocupação de si para consigo mesmo suavizou. Apesar de não demonstrar e de
quase sempre agir como se nada lhe importasse, tinha uma consciência maior
e mais abrangente que a da maioria, um senso aterrorizante das consequências de
seus atos que se misturou profundamente com seus instintos mais básicos, como a
autopreservação.
Isso
o tornou um pouco mais duro e mais desacreditado também. Mas não foi sua culpa.
Não foi sua culpa ter sido obrigado a experimentar as peripécias dos outros
seres humanos tão cedo. Não foi sua culpa desenvolver medo. Afinal todos
desenvolvem. Luís só teve que aprender a controlá-los e seguir em frente. Assim como todos os outros. Só que Luís sentia, sentia demais. Sentia tanto que sabia que isso seria seu fim. Um gigante de coração mole.
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