“Já não sei mais como é despertar
sem tua presença”. Ele sentou, já completamente acordado e embriagado na
insônia, na beira da cama de casal. Esfregou a própria cabeça como um afago.
Dormira poucas horas, não mais do que deveria, menos do que precisava.
Inquieto. Essa era uma palavra que o definia muito bem.
Inquieto era a palavra que
definia sua vida nos últimos meses.
Passou as mãos pelo rosto,
impotente. Impotente era um verbo que ele havia aprendido aos sete anos de
idade, e mesmo assim, era a primeira vez que entendia o significado literal. Não
havia mais nada que ele pudesse fazer. Absolutamente.
Levantou. A calça de moletom era
a única barreira contra o frio, mas ele não se importava. O frio podia entrar,
era convidado. No momento seu único amigo. Ele poderia tomar conta de sua alma
se quisesse. Poderia congelar seus nervos também e torná-lo a prova do calor,
as lembranças e da mortalha que aquela saudade ameaçava virar.

1 comentários:
Que tenso. Começar um conto com essa premissa, me assombra.
Quero ler o rexxxto. :D
Postar um comentário
Deixe tudo o que quiser deixar. E leve o que precisar.